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Brasil e Rússia reforçam parceria e defendem uso pacífico da energia nuclear

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agênci
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agênci

Brasil e Rússia manifestaram apoio ao uso da energia nuclear exclusivamente para fins pacíficos. O posicionamento consta em documento assinado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, que lideraram nesta quinta-feira (5) o Fórum Empresarial Brasil-Rússia, realizado no Itamaraty, em Brasília.

Parceiros no Brics, os dois países também demonstraram interesse em ampliar a cooperação na produção de radioisótopos medicinais, com foco no atendimento às demandas da área da saúde. O texto ainda destaca a intenção de promover projetos conjuntos voltados à geração de energia nuclear, ao ciclo do combustível nuclear e à atualização da base jurídica bilateral da cooperação.

No mesmo dia do encontro, expirou o tratado New Start, que limitava armas nucleares entre Estados Unidos e Rússia, embora o documento assinado por Brasil e Rússia não faça referência direta ao acordo.

Durante o evento, as autoridades ressaltaram o interesse em aprofundar a cooperação em setores como indústria farmacêutica, área médico-hospitalar, construção naval, tecnologias industriais digitais e segurança cibernética.

Defesa do multilateralismo

O documento também enfatiza a defesa do multilateralismo e critica o uso de “medidas coercitivas unilaterais”, especialmente contra países em desenvolvimento. Sem citar nações específicas, Brasil e Rússia afirmam que tais medidas são ilícitas, ilegítimas e incompatíveis com o direito internacional e com a Carta das Nações Unidas.

Segundo o texto, agressões internacionais violam direitos humanos, prejudicam o desenvolvimento sustentável e representam afronta à soberania dos Estados. Em nota do Palácio do Planalto, foi informado que o presidente Lula destacou ao primeiro-ministro russo a urgência de ações para fortalecer o multilateralismo.

Ainda conforme o documento, Lula ressaltou a importância de manter mecanismos de acompanhamento das iniciativas bilaterais para gerar resultados mais rápidos e benefícios concretos, observando que os números atuais não refletem o tamanho das economias dos dois países.

Parceria além do agronegócio

No período da tarde, Alckmin e Mishustin reforçaram a solidez da parceria comercial, especialmente no setor agrícola. Ambos indicaram possibilidades de ampliação das importações, exportações e da cooperação em pesquisa. Alckmin destacou que Brasil e Rússia ocupam posições centrais na segurança alimentar global.

“O Brasil está entre os maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo. A Rússia, por sua vez, é ator de primeira ordem no fornecimento de insumos estratégicos para a agricultura”, afirmou o vice-presidente.

Em 2025, o fluxo comercial entre os dois países foi de cerca de US$ 11 bilhões, com maior volume de importações brasileiras. Alckmin apontou que a cooperação contribui para tornar o sistema alimentar internacional mais resiliente, mas avaliou que a relação ainda apresenta baixa diversificação, concentrada em produtos primários.

Nesse contexto, o diálogo entre empresários e autoridades pode estimular a ampliação das exportações de bens industrializados e parcerias em áreas como tecnologia, energia e saúde. Segundo Alckmin, o governo brasileiro está comprometido em oferecer previsibilidade, segurança jurídica e ambiente favorável aos negócios.

Cooperação de longo prazo e tecnologia

Mishustin destacou que a Rússia está entre os cinco principais parceiros econômicos de importação do Brasil e que o mercado brasileiro concentra mais da metade dos produtos russos destinados à América Latina. Ele concordou com a necessidade de diversificar o comércio e desenvolver projetos de longo prazo.

“Nós temos todas as oportunidades para alcançarmos resultados práticos em áreas como química, energia, petróleo e gás, energia atômica, produção de medicamentos, exploração do espaço e outras de interesse mútuo”, afirmou.

O primeiro-ministro russo também ressaltou as boas perspectivas de cooperação na área farmacêutica, mencionando medicamentos inovadores para tratamento de câncer e diabetes, além da possibilidade de transferência de tecnologia, com apoio do setor regulatório brasileiro.

Outro ponto destacado foi a troca de experiências tecnológicas. Segundo Mishustin, a Rússia tem investido em ferramentas modernas de cibersegurança e inteligência artificial, ressaltando a importância do debate sobre soberania digital para o Brasil.

Fonte: Agência Brasil

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