Estado

Dois coroneis que assinaram a “carta da revolta” são transferidos; governador descartar mexer no comando da PM e da Sesp

O governador Renato Casagrande descartou mudar o comando da PM e da Secretaria de Segurança no Estado. Atualmente, os postos são ocupados pelo coronel Douglas Caus e pelo coronel Alexandre Ramalho, respectivamente. O burburinho da possibilidade de mudança nos postos-chave da segurança pública estadual veio após a repercussão da carta assinada por 15 coronéis com relatos de insatisfação ao governo e ao comando-geral da PM.

Na carta, os coronéis falam em baixos salários, falta de reposição do efetivo, desmotivação, estresse da tropa e falta de diálogo. “A preocupação maior é certamente a formação de um cenário, já presenciado em tempo pretérito, onde a ausência de diálogo conduziu para consequências inesquecíveis e danosas para toda a corporação”, diz um trecho do documento, fazendo referência à greve da PM em fevereiro de 2017.

Questionado pela coluna De Olho no Poder se o coronel Alexandre Ramalho iria deixar a Sesp, o governador respondeu: “Em hipótese nenhuma”. E deu a mesma resposta ao ser perguntado sobre coronel Douglas Caus, atual comandante geral da PM: “Estou satisfeito com o trabalho do Ramalho e do Caus”, respondeu Casagrande.

Nos bastidores, porém, a relação não estaria nada amistosa entre Caus e Ramalho. Oficiais militares e interlocutores do governo ouvidos pela coluna disseram, reservadamente, que os dois, que são da mesma turma de formação na PM, andam “batendo cabeça”, divergem com relação à estratégia de policiamento e que há entre eles uma “guerra de vaidades”, com disputa de holofote, tendo como pano de fundo a eleição do ano que vem.



A própria carta dos coronéis, endereçada ao secretário Ramalho e atropelando Caus, seria um indicativo do desgaste da relação, além de um ato que está sendo lido na caserna de insubordinação, uma vez que não foi respeitada a ordem hierárquica para o envio do documento. Ao receber a carta, Ramalho a encaminhou para o comando da PM.

O coronel Alexandre Ramalho já havia admitido à coluna a possibilidade de disputar uma vaga de deputado federal na eleição do ano que vem. Se isso se concretizar, ele deve deixar o posto de secretário em abril do ano que vem, 6 meses antes da eleição. A vaga de secretário a ser ocupada com a possível futura saída de Ramalho em abril também seria objeto de disputa dentro da PM, envolvendo Caus. Assim como também estaria no centro de uma disputa o posto de comandante da PM, caso Caus subisse para ser secretário.

Transferências

Na tarde de ontem foi publicado o “Boletim Especial do Comando Geral número 63” com mudanças e transferências envolvendo dois dos coronéis que assinaram a carta-manifesto. O coronel Carlos Ney de Souza Pimenta, que estava no comando do Policiamento Ostensivo Especializado (CPOE) que atua em Vitória e tem sob seu guarda-chuva, por exemplo, o BME, foi transferido para estar à frente do 6º Comando de Policiamento Ostensivo Regional (CPOR), na Serra.

Já o coronel Laurismar Tomazeli, que estava no comando do 6º CPOR, vai para o comando do CPOE. Também ocorreram outras mudanças entre as duas unidades e com outros quatro oficiais de patentes menores. Oficiais ouvidos pela coluna disseram que se trata de um ato administrativo, sem peso de punição, mas que mais mudanças devem ocorrer. “Se a carta foi um ato de insubordinação e o corregedor, coronel Moacir Barreto, assinou a carta, como ele vai investigar ele mesmo?”, questionou um oficial à coluna. (fonte: Folha Vitória)

Categorias
EstadoPolicialPolítica
------- PUBLICIDADE -------