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Economia brasileira recua em março sob impacto da guerra no Irã, aponta Banco Central

© Valter Campanato/Agência Brasil
© Valter Campanato/Agência Brasil

A atividade econômica do Brasil apresentou queda em março, período marcado pelo início da guerra no Irã, conforme dados divulgados nesta segunda-feira (18) pelo Banco Central.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado um dos principais indicadores prévios do desempenho da economia brasileira, registrou retração de 0,7% na comparação com fevereiro.

De acordo com o levantamento, todos os segmentos analisados tiveram desempenho negativo no período. A redução atingiu a arrecadação de impostos, a agropecuária, a indústria e o setor de serviços — este último com a maior queda, de 0,8%.

Especialistas avaliam que o cenário internacional de tensão influencia diretamente o comportamento da economia global. Para o professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), William Baghdassarian, momentos de conflito elevam a insegurança dos investidores e reduzem o ritmo de investimentos e consumo.

Segundo ele, a economia mundial funciona fortemente baseada nas expectativas do mercado. Com receios sobre aumento no preço dos combustíveis e desaceleração econômica de grandes potências, países exportadores como o Brasil acabam sentindo os reflexos.

“O medo de uma crise maior provoca efeitos em cadeia na economia global. Se países como a China reduzem sua produção e importam menos, o Brasil também exporta menos, afetando diretamente diversos setores econômicos”, explicou o professor.

Baghdassarian acredita que o conflito internacional pode ser solucionado, mas alerta que outros fatores internos ainda podem pressionar a economia brasileira, especialmente em períodos de instabilidade política e eleitoral.

“Mesmo com o fim da guerra, o aumento das incertezas políticas pode manter impactos negativos sobre a economia. Muitas vezes é difícil separar exatamente qual fator está influenciando mais o cenário econômico”, destacou.

Apesar da retração registrada em março, o Banco Central informou que o IBC-Br acumula crescimento de 1,8% nos últimos 12 meses, indicando que a economia brasileira ainda mantém saldo positivo no período mais amplo.

Fonte: Agência Brasil

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