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“Operação Voto Livre”: Divulgação de pesquisa eleitoral falsa na internet é alvo da Polícia Federal no ES

A Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão, na sede da Sesport e na casa do assessor. Além disso, dois mandados de intimação foram cumpridos. Doze policiais participaram da operação. Um computador e dois celulares foram apreendidos.

Um funcionário comissionado no cargo de assessor da Secretaria Estadual de Esportes e Lazer do Espírito Santo (Sesport), que também já foi funcionário da Assembleia Legislativa do Estado, é apontado pela Polícia Federal através da “Operação Voto Livre” como um dos responsáveis por divulgações de fake news (notícias falsas na internet), com intuito de influenciar o voto do eleitor nas próximas eleições. De acordo com a Polícia Federal, o servidor esteve envolvido na divulgação de uma “pesquisa eleitoral”, que teria sido feita pelo partido PSD, no site Capixabão.com.

Apenas pesquisas registradas na Justiça Eleitoral podem ser publicadas, o assessor Evandro Figueiredo, o responsável pelo site Capixabão estão na mira da Polícia Federal; de acordo com o delegado Vitor Moraes Soares, a estratégia usada pelos acusados era tendenciosa, ou seja, antes de serem publicados no site, números da pesquisa fraudulenta circularam em grupos de WhatsApp apontando que o governador Paulo Hartung (MDB) era favorito nas intenções de votos. O título do texto publicado pelo Capixabão era: “Paulo Hartung tem a preferência do eleitor da Grande Vitória”. Além de falar em vantagem do atual governador nas intenções de voto, o site também mencionava que o deputado estadual Amaro Neto (ex-SD e agora no PRB) era favorito na corrida ao Senado. “Essa pesquisa nunca existiu. Jamais foi realizada nenhuma pesquisa”, afirmou o delegado Vitor Moraes Soares, da Polícia Federal. “Quando você receber uma pesquisa eleitoral que não tiver uma plausibilidade, obviamente é necessário que se tenha cautela ao se propagar, pois a propagação dessas pesquisas eleitorais que não tem uma base, podem constituir crime”, alerta o delegado

Ainda de acordo com o delegado, a investigação da PF não mostrou qualquer participação do governador na divulgação da notícia falsa. “Não há qualquer indício de que o governador tenha anuído ou mesmo determinado a disseminação da pesquisa eleitoral falsa”, afirmou Soares. O secretário estadual de Esportes, Roberto Carneiro (agora no PRB), é aliado de Hartung e de Amaro Neto. O Portal Momento que Evandro Figueiredo ocupa um cargo de livre nomeação e exoneração. O salário dele, como assessor especial da Sesport, é de R$ 5.689,13 brutos, de acordo com o Portal da Transparência.

A Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão, na sede da Sesport e na casa do assessor. Além disso, dois mandados de intimação foram cumpridos. Doze policiais participaram da operação. Um computador e dois celulares foram apreendidos na Sesport. De acordo com a PF, os investigados poderão responder pelos crimes de pesquisa eleitoral fraudulenta e falsidade ideológica. A pena pode chegar a detenção de seis meses a um ano ou multa.



A Denúncia

A investigação começou após a Polícia Federal receber uma denúncia de uma suposta falsa pesquisa eleitoral de intenção de votos compartilhada pelo WhatsApp. Durante as investigações, segundo a PF, também foi verificada a divulgação de uma suposta falsa pesquisa eleitoral pelo site Capixabão.com.

O que diz os envolvidos?

Evandro Figueiredo não atendeu as ligações e não foi encontrado pela reportagem, já a Secretaria Estadual de Esportes e Lazer do Espírito Santo, disse que colabora com as investigações e condena esse tipo de ação e que o assessor foi exonerado.

A superintendente estadual de Comunicação, Andréia Lopes, disse, em entrevista coletiva, que a divulgação de notícias desse tipo não contam com apoio ou orientação do governo e frisou que a atitude do servidor foi “pessoal”. Ela não confirmou, no entanto, se o servidor será exonerado.

Por meio de nota, o site Capixabão se disse surpreso com a operação da PF: “Nos causa espanto o fato de nosso portal fazer parte de uma investigação de matérias tipo Fake News (notícias falsa), sendo que temos uma empresa com CNPJ registrado, endereço fixo e recolhemos nossos impostos. Procuramos sempre divulgar informações baseadas em fatos reais e não especulativos”, disse o site.

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