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Senadora Rose de Freitas é alvo de operação da Polícia Federal, irmão e primo foram presos

A Polícia Federal amanheceu na porta da casa da senadora capixaba Rose de Freitas (MDB), em Vitória, na manhã desta quarta-feira (12). Por prerrogativa de foro privilegiado por ser senadora da República, a ordem de busca e apreensão foi dada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal,  Kassio Nunes Marques. O mandado de busca e apreensão foi expedido dentro da Operação Corsários, que investiga uma organização criminosa na Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), estatal federal que administra o porto de Vitória e tem sede na capital capixaba.

Rose de Freitas não estava em casa no momento em que a PF chegou. Os policiais foram recebidos por empregados da casa e durante as buscas e recolheram documentos e computadores. Segundo os investigadores, a senadora nomeava pessoas no órgão com a finalidade de desviar dinheiro público da área portuária.

O irmão da senadora, Edward Dickson de Freitas, e Ricardo Saiter, primo da parlamentar, foram presos. Edward trabalhou no órgão como coordenador de Serviços Gerais, enquanto Ricardo era coordenador de Tecnologia da Informação. A exoneração dos dois só ocorreu em 2019, quando a empresa pública trocou de comando.



No total, foram cumpridos dois mandados de prisão temporária e 10 mandados de busca e apreensão em residências e empresas nos municípios de Vitória, Cariacica e Serra, no Espírito Santo, e em Brasília, no Distrito Federal,  além do sequestro de bens e valores, e da prisão em flagrante em Brasília de um dos investigados pelo crime de porte ilegal de arma. Essa pessoa presa em Brasília, que não teve o nome divulgado, foi liberada após pagar fiança. O valor também não foi anunciado.

De acordo com a Polícia Federal, os crimes teriam acontecido entre os anos de 2015 e 2018, com direcionamento de certames e desvio de recursos públicos dos contratos firmados com as prestadoras de serviços. A investigação contou com a colaboração da atual gestão da Codesa, que, em auditoria realizada, estima que somente em dois dos contratos auditados a organização criminosa pode ter desviado cerca de R$ 9 milhões.

Para receber os recursos desviados, o grupo investigado utilizava um escritório de advocacia, responsável por simular a prestação de serviços advocatícios para lastrear a movimentação dos valores. As investigações revelaram ainda que a lavagem do dinheiro ilegal também ocorria por meio da compra de imóveis de luxo e do pagamento de despesas pessoais dos envolvidos que são investigados pelos crimes de concussão, corrupção passiva, corrupção ativa, organização criminosa, fraude a licitações e lavagem de capitais.

A senadora Rose de Freitas nega que tenha cometido qualquer ato ilícito durante os oito mandatos que exerceu no Parlamento. Ela disse ter sido surpreendida pela ação da Polícia Federal no apartamento em Brasília e pela prisão do irmão e do assessor parlamentar.

A senadora afirma que desconhece a razão do mandado e que identifica um tentativa de desabonar a honra e dignidade dela. “Confio no restabelecimento da verdade e na apuração das possíveis motivações que ensejaram tamanha agressão.”, disse a senadora. (com informações: A Gazeta)

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