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Vereador do Rio é preso por suspeita de ligação com o Comando Vermelho

© Antônio Cruz/ Agência Brasil/Arquivo
© Antônio Cruz/ Agência Brasil/Arquivo

O vereador do Rio de Janeiro Salvino Oliveira Barbosa (PSD), ex-secretário municipal da Juventude, foi preso nesta quarta-feira (11) por agentes da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro sob suspeita de ligação com a facção criminosa Comando Vermelho.

De acordo com as investigações, o parlamentar teria tentado interferir politicamente em áreas dominadas pelo tráfico com o objetivo de transformá-las em bases eleitorais. A polícia aponta que Salvino teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, autorização para fazer campanha na comunidade da Gardênia Azul, região sob domínio da facção.

Segundo a apuração, em troca do apoio, o vereador teria articulado benefícios ao grupo criminoso, apresentados publicamente como iniciativas voltadas aos moradores. Um dos casos investigados envolve a instalação de quiosques na região, cuja definição de beneficiários teria sido feita por integrantes da facção, sem processo público transparente.

Em nota, a assessoria do vereador informou que o gabinete ainda não recebeu comunicação oficial sobre o caso e que a equipe jurídica foi acionada para acompanhar a situação.

Operação contra a facção

A prisão ocorreu durante a Operação Contenção Red Legacy, realizada pela Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro. A ação busca desarticular a estrutura nacional do Comando Vermelho, apontada pelas autoridades como uma organização criminosa com características de cartel e atuação interestadual.

Segundo a polícia, as investigações reuniram provas que mostram uma estrutura interna organizada da facção, com divisão territorial e articulação entre integrantes em diferentes estados. Até o momento, seis suspeitos foram presos na operação.

Participação de familiares de líder da facção

As apurações também indicaram a participação de familiares de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como “Marcinho VP”, um dos principais líderes históricos do Comando Vermelho.

De acordo com a investigação, Márcia Gama, esposa do traficante, atuaria na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional, transmitindo informações entre integrantes da organização.

Outro investigado é Landerson Nepomuceno, sobrinho de Marcinho VP, apontado como responsável por fazer a ligação entre lideranças da facção, criminosos que atuam nas comunidades e pessoas envolvidas em atividades econômicas exploradas pelo grupo.

Márcia e Landerson não foram encontrados em seus endereços e são considerados foragidos da Justiça.

Estrutura criminosa e investigações

Durante as investigações, também foram identificados casos de criminosos que se passavam por policiais militares para obter vantagens ilícitas, como vazamento de informações e simulação de operações.

A polícia ressaltou que essas condutas não representam a atuação da maioria dos profissionais da segurança pública, que trabalham de forma legítima no combate ao crime.

Os investigadores apontam ainda que a organização possui uma estrutura complexa, com conselhos nacionais e regionais, além de articulações com grupos criminosos de outros estados, incluindo indícios de cooperação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Mesmo após décadas no sistema prisional, as autoridades afirmam que Marcinho VP ainda exerce papel central na liderança do grupo, apontado como integrante do chamado conselho federal permanente da facção.

As investigações continuam para identificar outros envolvidos e aprofundar o combate às estruturas financeiras, operacionais e institucionais utilizadas pela organização criminosa.

Fonte: Agência Brasil

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