Economia

Entidades empresariais de Brasil e EUA defendem acordo para evitar novas tarifas sobre produtos brasileiros

© Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil
© Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

Representantes do setor produtivo brasileiro e norte-americano apresentaram uma proposta conjunta para fortalecer as relações comerciais entre os dois países e impedir a adoção de novas tarifas sobre produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos.

Em carta assinada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) e pela U.S. Chamber of Commerce, as entidades defendem a criação de uma agenda estruturada de negociações dividida em duas etapas, com medidas de curto e longo prazo.

O documento foi encaminhado a autoridades dos governos brasileiro e norte-americano após o avanço das discussões comerciais entre os dois países, intensificadas depois do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado em maio.

As conversas ocorrem em meio à investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio, mecanismo utilizado para analisar possíveis práticas comerciais consideradas desleais por parceiros internacionais.

Setor privado quer evitar novas tarifas

Na avaliação das entidades, a prioridade imediata é encontrar uma solução negociada para a investigação em andamento, evitando que produtos brasileiros sejam atingidos por tarifas adicionais no mercado norte-americano.

Segundo o documento, preservar o fluxo comercial entre os dois países é fundamental para garantir segurança jurídica às empresas, manter investimentos e fortalecer a competitividade das cadeias produtivas.

Além da solução para a Seção 301, o setor empresarial propõe a ampliação do diálogo bilateral para construir uma parceria comercial mais sólida e previsível.

Proposta prevê agenda em duas fases

A carta sugere que as negociações sejam organizadas em duas etapas.

A primeira concentra medidas de curto prazo destinadas a reduzir tensões comerciais e ampliar o acesso a mercados.

Já a segunda etapa prevê iniciativas estruturais voltadas ao aprofundamento da cooperação econômica entre Brasil e Estados Unidos em áreas estratégicas para ambos os países.

Prioridades apresentadas pelas entidades

Entre os principais pontos defendidos pelas organizações empresariais estão:

  • Ampliação do acesso ao mercado para produtos estratégicos, incluindo insumos industriais, bens de capital e equipamentos destinados aos setores de energia, centros de dados e infraestrutura para inteligência artificial;
  • Fortalecimento da cooperação regulatória para facilitar a comercialização de produtos dos segmentos automotivo, farmacêutico, saúde animal e dispositivos médicos;
  • Apoio à prorrogação da moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC), que mantém isentas de imposto de importação as transmissões eletrônicas internacionais;
  • Redução do tempo de análise de pedidos de patentes no Brasil, especialmente nas áreas de saúde e biotecnologia, além da intensificação do combate à pirataria e à falsificação de produtos;
  • Desenvolvimento de uma parceria estratégica para exploração, pesquisa e processamento de minerais críticos, estimulando investimentos conjuntos e cadeias de fornecimento mais seguras;
  • Implementação integral do Protocolo Anticorrupção previsto no Acordo de Cooperação Econômica e Comercial (ATEC), ampliando a transparência e a segurança nas relações comerciais.

Objetivo é ampliar integração econômica

Na avaliação das entidades, uma agenda permanente de cooperação poderá fortalecer os investimentos bilaterais, ampliar as oportunidades de negócios e reduzir barreiras que ainda dificultam o comércio entre as duas maiores economias do continente.

O setor privado também argumenta que medidas negociadas tendem a oferecer maior previsibilidade para empresas dos dois países, favorecendo o crescimento das exportações, a inovação tecnológica e a integração das cadeias produtivas em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico.

Fonte: Agência Brasil

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