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Lula alerta Mercosul para risco de guerra na América do Sul diante de ameaça dos EUA à Venezuela

© Ricardo Stuckert/PR
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou neste sábado (20), durante discurso na reunião do Mercosul, para o risco de um conflito armado na América do Sul diante da ameaça de intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela. Segundo Lula, uma ação desse tipo poderia levar à derrubada do governo de Nicolás Maduro e desencadear uma guerra de proporções imprevisíveis na região.

“Passadas mais de quatro décadas desde a Guerra das Malvinas, o continente sul-americano volta a ser assombrado pela presença militar de uma potência extrarregional. Os limites do direito internacional estão sendo testados”, afirmou o presidente. Lula classificou uma eventual intervenção como “uma catástrofe humanitária para o hemisfério e um precedente perigoso para o mundo”.

Atualmente, forças militares dos Estados Unidos atuam no entorno do Mar do Caribe, na fronteira com a Venezuela, sob a justificativa de combate ao narcotráfico. As ações incluem o bloqueio à navegação de navios petroleiros venezuelanos, o que pode provocar forte impacto econômico no país, cuja economia é fortemente dependente da exportação de petróleo.

De acordo com informações apresentadas durante o discurso, desde setembro cerca de 25 ataques a embarcações no Caribe teriam sido realizados por forças norte-americanas, resultando na morte de ao menos 95 pessoas.

Nos últimos dias, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a Venezuela estaria “completamente cercada pela maior armada já reunida na história da América do Sul” e que a pressão militar aumentaria até que o país “devolvesse aos Estados Unidos todo o petróleo, terras e outros bens” que, segundo ele, teriam sido tomados.

As declarações elevaram a tensão diplomática e levantaram questionamentos sobre os reais interesses norte-americanos na mudança de regime venezuelano, para além do combate ao narcotráfico.

Na última quinta-feira (18), em entrevista no Palácio do Planalto, Lula afirmou que manteve conversas telefônicas tanto com Nicolás Maduro quanto com Donald Trump na tentativa de buscar uma solução diplomática. Segundo o presidente, ele se colocou à disposição para intermediar o diálogo e evitar um confronto armado na região, ressaltando que o Brasil possui extensa fronteira com a Venezuela e tem interesse direto na preservação da estabilidade regional.

Lula também questionou as motivações por trás da ameaça militar. “Era possível negociar sem guerra. Então, eu fico sempre preocupado com o que está por detrás. Porque não pode ser apenas a questão de derrubar o Maduro”, disse.

O presidente informou ainda que pretende voltar a conversar com Trump antes do Natal e orientou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a permanecer atento e próximo ao país nas próximas semanas, caso o cenário internacional se agrave. Fonte: Agência Brasil

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