
A tecnologia usada a favor da criminalidade, assim é um grupo de WhatsApp era usado por integrantes da Tropa do Urso para acompanhar e divulgar, em tempo real, a movimentação das forças de segurança em Colatina. Segundo o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), os alertas permitiam a retirada de drogas e armas antes de operações e ajudavam os investigados a evitar abordagens e prisões.
As informações constam em três denúncias apresentadas pela Promotoria de Justiça Criminal de Colatina contra 42 pessoas investigadas na Operação Churchill. Os denunciados respondem, conforme a atuação atribuída a cada um, por organização criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Batizado de “Foco, Força e Fé”, o grupo de mensagens reunia informações sobre prisões, operações policiais, presença de viaturas, blitz e a situação das áreas onde a organização mantinha atividades. O monitoramento se concentrava principalmente em bairros como Vista da Serra, Perpétuo Socorro e Bela Vista.
As denúncias citam episódios em que integrantes avisaram sobre uma viatura da Polícia Civil nas proximidades de uma padaria em Vista da Serra e comunicaram o deslocamento de veículos policiais em direção ao batalhão. Também foram compartilhadas informações sobre locais onde eram realizadas blitz.
De acordo com o MPES, a repetição dos alertas e a precisão das informações permitiam que os responsáveis pelos pontos de venda interrompessem temporariamente o comércio, escondessem drogas e armas e deixassem os locais antes da chegada dos policiais.
A investigação descreve uma estrutura hierarquizada, com lideranças, gerentes territoriais, vendedores, transportadores e pessoas encarregadas do armazenamento e da distribuição de entorpecentes. Havia ainda integrantes responsáveis pela guarda de armas e pelo monitoramento da polícia.
Segundo as denúncias, a cadeia começava com o recebimento das drogas e passava pelo armazenamento, preparo, distribuição aos vendedores, comercialização, arrecadação dos valores e reposição dos estoques.
O grupo é apontado como responsável pela venda de entorpecentes como maconha, cocaína, crack, ecstasy e lança-perfume. As investigações também identificaram a utilização de contas bancárias de terceiros e chaves Pix para receber valores e pagar fornecedores sem a circulação direta de dinheiro em espécie.
O material apresentado pelo MPES menciona ainda a participação de adolescentes em atividades relacionadas à venda de drogas, comunicação e apoio logístico. Conforme a acusação, o envolvimento dos menores não era ocasional, mas fazia parte do funcionamento dos pontos de tráfico.
A estrutura não se limitava a Colatina. As denúncias descrevem a circulação de drogas, armas e dinheiro entre municípios da Grande Vitória, Serra, São Roque do Canaã e cidades do interior, além de contatos com fornecedores localizados no Rio de Janeiro.