
Após a vitória no segundo turno das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retomou na manhã desta segunda-feira (26/10) a agenda presidencial e recebe nesta tarde os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Os dois apoiaram a candidatura do presidente Lula à reeleição.
Lula retornou á Brasília durante a madrugada depois de acompanhar a apuração dos votos em São Paulo. Com 100% das urnas apuradas, Lula teve 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) terminou com 48,21%.
Ainda na noite de domingo, Motta e Alcolumbre fizeram um pronunciamento para parabenizar o petista e sinalizaram que estavam abertos ao diálogo e dispostos a contribuir com as iniciativas consideradas importantes para o país. “Quero dizer mais uma vez que estaremos prontos para diálogo, independência e harmonia, como preconiza a Constituição, para dialogar e projetar um futuro do país, para poder ajudar e se empenhar naquilo que é importante”, afirmou o presidente da Câmara.
Alcolumbre, por sua vez, destacou que, independentemente das divergências manifestadas durante a campanha, o foco das instituições deve se voltar às necessidades da população. "Nós precisamos ter a compreensão de que o nosso país dividido não é bom para o povo brasileiro, não é bom para as instituições republicanas, não é bom para o futuro do Brasil. Passou a eleição. O presidente eleito tem que governar para os 215 milhões de brasileiros que vivem no Brasil e que precisam das respostas do Estado", disse.
A relação com o Congresso Nacional, de maioria oposicionista, no próximo mandato também deve ser debatida no encontro de Lula com os presidentes das Casas. Motta e Alcolumbre articulam apoio do chamado centrão e também da base governista para garantir a permanência no comando de suas respectivas Casas.
Além disso, Lula precisará negociar com os partidos para avançar com propostas defendidas durante a campanha, como a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê transporte público gratuito aos fins de semana e a PEC da Segurança Pública.
No Senado, o presidente ainda precisa de apoio para aprovar indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF). Há previsão de quatro indicações: a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso e as aposentadorias compulsórias previstas de Luiz Fux, em 2028, Cármen Lúcia, em 2029, e Gilmar Mendes, em 2030.
A conquista por um quarto mandato na Presidência da República também abre uma nova etapa de articulações políticas para composição ministerial e definição das prioridades para o ano que vem. A posse para o novo mandato está marcada para 5 de janeiro de 2027.
Em discurso após a confirmação do resultado, em São Paulo, Lula indicou que pretende fazer mudanças na condução do governo. "Essa eleição me ensinou muitas lições. Eu posso garantir pra vocês que nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Quero dizer pra vocês que nós vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões", disse.
Em sua fala, o presidente comentou sobre a oposição que deve enfrentar no Congresso Nacional, mas minimizou uma eventual dificuldade para governar. "Na relação com o Congresso, porque já tem gente falando que o Lula vai ter muita dificuldade para governar porque o Congresso está muito conservador. Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu e é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas", afirmou.
Pela manhã, o presidente recebeu seu chefe de gabinete, Oswaldo Malatesta, no Palácio da Alvorada. À tarde, Lula se reuniu com o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, e, em seguida, com o ministro da Defesa, Múcio Monteiro. Há expectativa de que seja discutido possível interferência externa e tentativa de golpe, já que Flávio Bolsonaro afirmou, após o encerramento da apuração, que vai pedir a anulação das eleições. O candidato derrotado criticou decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação por mais duas horas em todo o país.
A decisão do integrante da Corte ocorreu porque houve problemas no sistema de transporte público de cidades como Salvador e São Paulo. “O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi algo inclusive inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele e muda a regra do jogo no meio do jogo”, disse o filho mais velho de Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, após perder a eleição em 2022 para Lula.