
Juliana Paulo Pinto, de 29 anos e grávida de aproximadamente quatro meses, foi encontrada morta e com o corpo carbonizado em uma área rural próxima ao bairro Monte Líbano, em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, nesta quarta-feira (14). Um homem e uma mulher foram presos em flagrante suspeitos de envolvimento no caso.
Os suspeitos são o ex-marido da vítima, Diego Marques Alves e a atual noiva dele, Geovana Maria Vieira. Diego e Juliana eram pais de um filho de 11 anos, que vivia com a vítima e o atual marido dela. De acordo com familiares de Juliana, o relacionamento entre ela e o suspeito era bastante conturbado.
A vítima chegou a registrar um boletim de ocorrência contra ele por violência doméstica. Contra Diego havia também uma medida protetiva solicitada por Juliana, e ele não podia se aproximar da vítima.
Segundo a Polícia Civil, a vítima estava desaparecida desde a madrugada de segunda-feira (12). O atual companheiro de Juliana registrou o desaparecimento. Familiares relataram à polícia conflitos e ameaças anteriores envolvendo o ex-companheiro dela, um dos investigados.
A Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cachoeiro de Itapemirim apurou os últimos deslocamentos da vítima e as informações apresentadas pelos suspeitos. Imagens do sistema municipal de videomonitoramento identificaram movimentações de um veículo ligado à investigação durante a madrugada do desaparecimento e contrariaram a versão de um dos investigados.
De acordo com o delegado Felipe Vivas, titular da DHPP de Cachoeiro de Itapemirim, imagens de um posto de combustíveis mostraram o veículo abastecendo e seguindo em direção à região rural de Monte Líbano, onde a polícia localizou o corpo. A equipe realizou diligências na localidade após analisar os registros.
O casal foi autuado em flagrante por ocultação de cadáver. A Polícia Civil também pediu a prisão temporária dos dois investigados pelos crimes de feminicídio e aborto sem consentimento, solicitação que será analisada pelo Poder Judiciário. Após os procedimentos, os suspeitos serão encaminhados ao sistema prisional e permanecerão à disposição da Justiça, enquanto as investigações continuam.
A polícia ainda não revelou a motivação do crime. Mais detalhes do crime vão ser anunciados em coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (15).
Diego chegou a registrar um boletim de ocorrência online sobre o desaparecimento da vítima. No boletim, o suspeito afirma não ter conhecimento do paradeiro de Juliana e chega a afirmar que no momento do desaparecimento, estava cuidando da noiva, que estaria passando mal.
Ainda no documento, Diego afirma que Juliana era usuária de drogas e que, possivelmente, teria se envolvido com algum “indivíduo marginal”. A alegação do suspeito de que Juliana era usuária de drogas é contestada por familiares da vítima.