Família capixaba que planta cacau há 100 anos estampa nova caixa de bombons Garoto

Edição especial da tradicional caixa amarela terá três versões com famílias produtoras de cacau do Espírito Santo.

30/09/2026 às 14h33
Por: Redação Fonte: Patricia Maciel/Folha Vitória
Compartilhe:
Família capixaba que planta cacau há 100 anos estampa nova caixa de bombons Garoto

Há mais de 100 anos, quatro gerações de uma mesma família cultivam cacau às margens do Rio Doce, no Espírito Santo. A história começou com Waldir Durão, passou pelos filhos e netos e chegou a Evandro Guimarães e Rosana Pandolfo, que hoje ajudam a manter a produção na Fazenda Oscar Pestana, em Linhares, no Norte do Estado.

Agora, parte dessa trajetória vai sair do campo para chegar às prateleiras de supermercados de todo o país. Evandro e Rosana estão entre os produtores capixabas escolhidos para aparecer em uma edição especial da tradicional caixa amarela de bombons da Garoto. "Na Fazenda Oscar Pestana, nós estamos na quarta geração. Iniciou com o meu bisavô, Waldir Durão, passou para o meu avô e minha avó, que passaram para a minha mãe, e hoje estou eu, a Rosana, a Thaís, que é minha irmã, Pedro, que é meu cunhado, e minha mãe também faz parte da operação"; destacou o produtor  Evandro Guimarães.

Pela primeira vez, a fabricante vai levar produtores de cacau para a embalagem da caixa de bombons. Serão três versões, cada uma inspirada em uma família produtora do Espírito Santo. Além de Rosana e Evandro, participam Ana Rigoni, da Fazenda Guarani, e os irmãos Wellington e Willian Menelli, da Fazenda São Luiz.

As três embalagens serão lançadas simultaneamente e começarão a ser distribuídas ao varejo nacional em outubro. Segundo a gerente de Marketing da Garoto, Priscilla Caselatto, trata-se de uma edição limitada, que ficará disponível enquanto durarem os estoques.

Produção atravessa quatro gerações

Na Fazenda Oscar Pestana, a produção de cacau é feita em sistema cabruca, modelo em que os cacaueiros são cultivados sob a sombra de árvores nativas. Segundo Evandro, a atividade atravessou diferentes gerações sem deixar de lado a preservação da vegetação da propriedade. “Ao longo desse trajeto, já foram mais de 100 anos trabalhando em sistema cabruca, às margens do Rio Doce, onde nós garantimos a preservação da Mata Atlântica, junto com a busca pela alta produtividade”, afirma.

A família faz parte de um programa da Nestlé voltado à cadeia produtiva do cacau. No Espírito Santo, a iniciativa reúne cerca de 300 produtores parceiros em 7 mil hectares cultivados. Evandro conta que, por meio do programa, participou de ações sobre manejo, diversificação das lavouras, sistemas agroflorestais e qualidade das amêndoas. A propriedade também recebe assistência técnica e mudas.

Sensação de reconhecimento

Para Rosana, descobrir que a família seria uma das retratadas na caixa trouxe a sensação de que o trabalho desenvolvido na propriedade estava sendo reconhecido. Ela conta que a notícia foi recebida com comemoração." Foi um dia muito alegre, de muita comemoração. E foi muito emocionante, porque foi uma sensação de reconhecimento de que a Nestlé, de que a Garoto estavam olhando para o produtor. Foi uma sensação de dever cumprido.

A escolha das famílias, segundo Priscilla Caselatto, considerou diferentes histórias e realidades da produção de cacau no Espírito Santo. Entre os critérios citados pela empresa estão qualidade da produção, adoção de práticas sustentáveis, inovação no campo e compromisso com uma cadeia produtiva responsável.

A gerente afirma que a decisão de escolher produtores capixabas também está relacionada à história da Garoto no Estado, onde a empresa mantém sua fábrica em Vila Velha. A proposta é aproximar a origem do cacau do produto que chega ao consumidor.

“Ao trazer produtores de cacau para a embalagem pela primeira vez, queremos reconhecer e valorizar as pessoas que estão na origem dos nossos chocolates. É uma forma de mostrar que por trás de cada bombom existe uma cadeia construída com dedicação, conhecimento e compromisso com a qualidade”, afirma Priscilla.

Três famílias nas embalagens

Cada uma das três versões da caixa representa uma trajetória ligada à produção de cacau. Ana Rigoni, da Fazenda Guarani, foi escolhida para representar a tradição familiar e o trabalho voltado à qualidade da produção.

Rosana Pandolfo e Evandro Guimarães, da Fazenda Oscar Pestana, representam o uso de sistemas agroflorestais e a relação entre produção e preservação ambiental. Já Wellington e Willian Menelli, da Fazenda São Luiz, foram escolhidos pelo uso de tecnologias e investimentos para aumentar a eficiência da lavoura.

A edição especial também marca o lançamento da plataforma “Feito de Brasil”, iniciativa que a Garoto pretende desdobrar em outros produtos, ações e campanhas. No caso das caixas, as histórias dos produtores também serão apresentadas em conteúdos nas redes sociais da marca.

Para Rosana, aparecer na embalagem pode ajudar a mostrar ao consumidor que, antes de o cacau se transformar em chocolate, existe uma cadeia formada por famílias e trabalhadores do campo.

Eu gostaria que eles soubessem que o cacau é uma das culturas mais sustentáveis, que é uma agrofloresta, e que é uma das culturas que permite produzir junto com a natureza. Gostaria que eles soubessem que é feito de pessoas"; contou Rosana Pandolfo.

Ela também deixa um convite para quem conhece o cacau apenas depois de transformado em chocolate: visitar uma propriedade e acompanhar de perto a rotina de produção. “Eu gostaria de convidá-los a conhecer roças de cacau, principalmente cabrucas, vivenciar o dia a dia, colher um fruto, experimentar uma amêndoa e tomar um suco de cacau”, completa Rosana.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários