
O empresário, ex-prefeito e candidato a deputado estadual Daniel Santana Barbosa (PP), conhecido como Daniel da Açaí, foi preso no final da tarde desta sexta-feira (2) pela Polícia Federal dentro de um comitê de campanha no bairro Boa Vista, em São Mateus, no Norte do Espírito Santo, por suspeita de uso irregular de recursos na campanha.
Outras quatro pessoas, que não tiveram os nomes divulgados, também foram presas. A informação foi confirmada pela PF às 20h14. Aliados falam em uso da Polícia Federal para perseguição política contra o que chamam de “candidato praticamente eleito”.
Segundo a PF, a prisão do candidato ocorreu dentro de uma operação batizada de “Espectro”, que apura “a possível utilização irregular de recursos financeiros em campanha eleitoral, além da possível prática de falsidade ideológica eleitoral, lavagem de dinheiro e associação criminosa”.
A PF afirma que “a investigação teve início a partir de informações de inteligência financeira que apontaram movimentações atípicas envolvendo valores em espécie. A partir desses elementos, foram realizadas diligências e outras medidas investigativas, algumas delas autorizadas judicialmente”, informou a corporação.
Conforme a Polícia Federal, “no decorrer da apuração, foram identificados indícios de que recursos financeiros de origem empresarial estariam sendo utilizados em atividades de campanha eleitoral sem observância dos mecanismos oficiais de arrecadação e controle previstos na legislação eleitoral. Também são apurados indícios relacionados à origem e à destinação dos valores movimentados”.
A PF diz que “durante a ação desta sexta-feira, foram cumpridos mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Eleitoral em endereços vinculados aos investigados. Cinco pessoas foram presas em flagrante, em razão de fatos constatados durante as diligências”. o candidato Daniel da Açaí está entre os presos.
Sem divulgar valores ou imagens, a Polícia Federal informou que “foram apreendidos valores em espécie, aparelhos celulares, computadores, mídias digitais, documentos e outros materiais de interesse da investigação. O material será submetido à análise policial e pericial”.
Por fim, a PF informou que “as investigações prosseguem para o esclarecimento dos fatos, o rastreamento da origem e da destinação dos recursos e a individualização das condutas. As responsabilidades serão apuradas de acordo com a participação de cada investigado”.
Em nota, o Progressistas, partido do candidato, informou que “defende que o eleitor tenha o direito de formar sua opinião a partir de fatos comprovados, e não de informações ainda em fase de apuração”. “Quando uma investigação e uma operação envolve um candidato e ocorre a apenas dois dias da eleição, seus efeitos ultrapassam a esfera individual e alcançam o próprio equilíbrio da disputa eleitoral, especialmente quando a medida interfere diretamente no exercício da campanha”, informou o partido, por nota.